sexta-feira, 21 de abril de 2017

a novelística portuguesa -- I: 4,6-5


13. Ferreira de Castro, A Experiência (1954) - 4,8
12. Ferreira de Castro, Eternidade (1933) - 4,7
11. Eça de Queirós, São Cristóvão (póstumo, 1911) - 4,8
10. Hélia Correia, Lillias Fraser (2001) -5
9. Bruno Vieira Amaral, As Primeiras Coisas (2013) - 5
8. Ana Margarida de Carvalho, Que Importa a Fúria do Mar (2013) - 5
7. Ferreira de Castro, A Tempestade (1940) - 4,6
6. Ferreira de Castro, A Missão (1954) - 5
5. Ferreira de Castro, A Lã e a Neve (1947) - 5
4. João de Melo, Gente Feliz com Lágrimas (1988) - 5
3. Orlando da Costa, O Signo da Ira (1961) - 5
2. Ferreira de Castro, Emigrantes (1928) - 5
1. Manuel Tiago, Cinco Dias, Cinco Noites (1975) - 5

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A novelística portuguesa - II: 4-4,5

19. João Pedro de Andrade, A Hora Secreta (1942) - 4,3
18. Camilo Castelo Branco, O Judeu (1866) - 4,3
17. Manuel da Silva Ramos, Café Montalto (2002) - 4,5
16. Fernando Assis Pacheco, Trabalhos e Paixões de Benito Prada (1993) - 4,4
15. Luís Almeida Martins, Viva Cartago (1984) - 4,1
14. Almada Negreiros, Nome de Guerra (1938 [1925]) - 4,5
13. Baptista-Bastos, Cão Velho Entre Flores (1974) - 4,5
12. Miguel Real, As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia (2010) - 4,0
11. Carlos de Oliveira, Alcateia (1944) - 4,4
10. Clara Pinto Correia, Adeus, Princesa (1985) - 4,5
9. António Pedro, Apenas uma Narrativa (1942) - 4,4
8. Carlos de Oliveira, Uma Abelha na Chuva (1953) - 4,5
7. Vergílio Ferreira, Manhã Submersa (1954) - 4,5
6. Nuno Bragança, A Noite e o Riso (1969) - 4,5
5. Soeiro Pereira Gomes, Esteiros (1942) - 4,5
4. Carlos Malheiro Dias, Paixão de Maria do Céu (1902) - 4,3
3. Hélia Correia, O Número dos Vivos (1982) - 4,3
2. Romeu Correia, Calamento (1950) - 4,0
1. Paulo Castilho, Fora de Horas (1989) - 4,3


domingo, 26 de março de 2017

do conto português

10. Conde de Arnoso, «Inconfidência», De Braço Dado (1894): «Trouxe-nos hoje o correio novas do extremo oriente.»


ADAMOPOULOS, Sarah, «Sozinha no cemitério», A Vida Alcatifada (1997): «A infância mantinha-a viva.»


ANDERSEN, Sophia de Mello Breyner, «O jantar do bispo», Contos Exemplares (1962): «Era uma casa grande, branca e antiga.»


ARCHER, Maria, «Narcisa», A Primeira Vítima do Diabo (1954): «O quadro da tragédia é a paisagem beirã, colinas debruadas de cunhais em cujos côncavos se aninha a agricultura pobre da região.»


ARNOSO, Conde de, «Em viagem», De Braço Dado (1894): «Uma noite, em Kobe, em lugar de ir percorrer os bairros pitorescos da cidade, deixei-me ficar na banal casa de jantar do Hôtel des Colonies, comodamente sentado à beira do lume, conversando com uma senhora inglesa, viúva e já idosa, que sozinha viera da Austrália passar os meses de inverno ao Japão.»

Eça de Queirós, «O suave milagre» [1898], Contos (póstumo, 1902): «Nesse tempo Jesus ainda se não afastara da Galileia e das doces, luminosas margens do lago Tiberíade: -- mas a nova dos seus milagres penetrara já até Enganim, cidade rica, de muralhas fortes, entre olivais e vinhedos, no país de Issacar.» 

José Maria de Andrade Ferreira, «A noite do Natal», in Archivo Pittoresco (1858): «Corria a noite de vinte e quatro de Dezembro, e dez horas acabavam de soar na freguesia de uma aldeia da província do Minho.»



Mário Dionísio, «O corte das raízes», O Dia Cinzento (1944): «Nada melhor do que essa lufada de ar fresco quando transpunha a porta da casa e se encontrava enfim na rua.»


Miguel Barbosa, «O patrão», Retalhos da Vida (1955): «Desviei-me demasiadamente tarde.»



Natália Nunes, «A mosca verde», A Mosca Verde e Outros Contos (1959): «Não sabia como, mas o que é certo é que o petiz fora desencantar aquilo ao fundo do armário.»






segunda-feira, 20 de março de 2017

microleituras

Digamos que uma iniciativa como esta, uma Antologia do Conto Português, a acompanhar um jornal de grande tiragem como o Correio da Manhã (não me lembro se os livrinhos eram gratuitos) é sempre uma boa e louvável ideia. Mesmo se a escolha dos autores passe pela bitola baixa daqueles cujos direitos estavam já em domínio público, como é o caso do Camilo e dos outros escritores contemplados. Já custa mais a engolir a edição paupérrima (embora co-editada por um banco), só se aproveitando o grafismo das capas, com alguma originalidade. Nem falo do mau papel, mas da total ausência de critério na escolha dos textos e, consequentemente, da inexistência de um mínimo de aparato editorial: porquê estes e não outros textos?; quem os escolheu?; de onde foram extraídos?;  quem redigiu as escassas notas de rodapé? (Eu até acho que sei quem foi, e cheira-me que estas narrativas breves foram pirateadas às obras completas da Parceria A. M. Pereira).
Dos três textos antologiados, um, o do meio, não é conto, mas a primeira narrativa publicada por Camilo, sem o nome na capa, Maria! Não Me Mates que Sou Tua Mãe! (1848), uma lamentável mixórdia de cordel, de que só se continua a falar por o autor ser quem é.
Quanto às restantes, já o caso fia mais fino. Embora participem da categoria da literatura comestível, coisinhas que o Camilo fazia para ganhar uns trocos, pois da escrita vivia, sempre são dois camilos, e os camilos degustam-se. Trata-se de «Como ela o amava!», das Noites de Lamego (1863) e «Beatriz de Vilalva», das Noites de Insónia (1874), fiquei a sabê-lo graças ao Google, que, se não existisse, ainda teria à mão o meu Alexandre Cabral para informar -- instrumentos que ou não existiam à data da edição ou que, no caso do Dicionário de Camilo Castelo Branco não se encontraria na generalidade dos lares.
Duas historinhas de amores contrariados em habitat camiliano, o Norte, uma com final trágico, outra semi-feliz. É o que menos interessa: são títeres de Camilo, bonecos esquemáticos, sem espessura. O que importa é, sempre, o bravo e grande estilo, o seu humor cáustico e desapiedado, como fica exposto logo no primeiro parágrafo de «Como ela o amava!»:

«Aos 24 de Agosto, na povoação chamada Cavez, cuja ponte, sobre o Tâmega, extrema pelo norte as duas províncias do Minho e Trás-os-Montes, celebra-se a festa de S. Bartolomeu, santo gravemente infesto a Satanás. Vêm aqui, de muitas léguas em volta, dezenas de criaturas obsessas. É para notar que raro homem que ali vá incubado de demónio. As mulheres é que, por cima de muitas outras penas, sofrem o dissabor de serem visitadas pelos espíritos infernais, caso único, a meu ver, em que os sobreditos espíritos se mostram espirituosos.» («Como ela o amava!»)

ficha:
Autor: Camilo Castelo Branco
título: Antologia do Conto Português
colecção: «Antologia do Conto Português» #4
editores: Correio da Manhã e Banco Nacional Ultramarino
local: Lisboa
data: [1991]
impressão: Mirandela - Artes Gráficas
págs. 45

quarta-feira, 15 de março de 2017

da crónica portuguesa

1. Ramalho Ortigão, «A festa do Natal -- a festa das crianças e uma que não se divertiu», As Farpas, vol. V: «Lisboa prepara neste momento a festa do Natal.»
2. Conde de Sabugosa, «O fadista», De Braço Dado (1894): «Também se transformou!»

quarta-feira, 8 de março de 2017

Júlio Dinis, algumas aparas

Que penso eu do Júlio Dinis?
Um extraordinário talento de novelista, notável encenador de ambientes e situações.
A segunda metade do século XIX na novelística portuguesa é Camilo-Júlio Dinis-Eça. O resto é secundário. Por alguma razão ele sobreviveu, ao contrário doutros autores estimáveis, mas cujo desempenho não chegava aos calcanhares do criador d'A Morgadinha dos Canaviais.
Não o conheço a fundo: li três dos seus quatro romances e um ou outro conto ou disperso; falta-me a juvenília, para a qual não estou muito virado, e o paraliterário (correspondência, etc.), mas, homem do Porto e mão inglesa, suponho-o um liberal distante da politiquice e do caciquismo.
Detractores, teve e ainda terá uma quantidade deles. Entre nós, o apoucamento de grandes escritores deve-se a pelo menos uma de três desrazões: ressentimento despeitado dos contemporâneos, sectarismo ideológico, o deslumbramento basbaque, Os primeiros, os mais tristes; os últimos, tristemente risíveis. Por isso, ainda corre que por aí que o Júlio Dinis é autor de romances cor-de-rosa, país desgraçado.
Júlio Dinis (Joaquim Guilherme Gomes Coelho, Porto, 1839-1871), é um dos meus escritores.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Camilo Castelo Branco, algumas aparas

Que penso eu do Camilo?
Costumo dizer que ele vale por toda uma literatura. Está no mesmo patamar da poesia trovadoresca, do Camões, do Padre António Vieira, entre outros poucos. Isto é: podia a literatura portuguesa contar apenas com o CCB, e já poderíamos dar-nos por felizes.
Execrável criatura, imoral, porventura amoral, porém fisicamente corajosa. Demolidoramente sarcástico, violento até à bengalada.
Ideologicamente instável, menos reaccionário do que se supõe, oportunista no que fosse preciso.
Detractores, não creio que os tenha hoje, mesmo entre os que preferem o Eça. Já é um clássico.
Conheço-lhe a obra deficientemente (uns quinze títulos ou pouco mais), na proporção incomensurável que logrou alcançar, o suficiente, porém, para um juízo não muito erróneo.
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, freguesia dos Mártires, Lisboa, 16 de Março de 1925 -- São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, 1 de Junho de 1890), é um dos meus escritores.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

microleituras

Um dos primeiros livros publicados por Camilo Castelo Branco participa desta literatura, com «Maria. não Me Mates que Sou Tua Mãe!» (1848), como é referido pelo autor desta síntese notável de enquadramento e análise dum género tão peculiar, caído em desuso não há muito. Literatura de cordel, literatura de cego, vendido por feiras e mercados deste país, histórias fabulosas, relatos de viagem, episódios do ciclo arturiano, do último feito notável ou do último crime cometido, verso,drama e prosa de proveito e exemplo que leitores e ouvintes (não esquecer o analfabetismo endémico), consumiam gulosamente. Que o dissesse Ferreira de Castro, ainda criança, com a História do João Soldado -- um must da literatura de cordel.

incipit: «A designação "literatura de cordel" recobre, no uso dos especialistas,, um conjunto imenso e instável de obras que eram penduradas para exposição e venda em cordéis distendido entre dois suportes, presos por pregos ou alfinetes, em paredes de madeira ou na rua, podendo também pender dos braços da da cintura de vendedores ambulantes.»  

ficha:
Autor: Carlos Nogueira.
título: Literatura de Cordel: História, Teoria e Interpretação
edição: 2.ª
colecção: «À mão de respigar» #5
editora: Apenas Livros
local: Lisboa
ano: 2003

domingo, 19 de fevereiro de 2017

microleituras

Missiva extraordinária, com tudo o que tem de excessivo e profundamente sentido, emanado da personalidade trágica de Mouzinho de Albuquerque (1855-1902). Um estilo literário intenso, determinado e austero de quem estava, pelos princípios e pela formação, impedido de contemporizar. Mouzinho, que não se revia no seu tempo, «época de dissolução», culpava as elites pela desintegração do Portugal imperial. É visível uma proximidade do cesarismo de Oliveira Martins, fantasiosa teoria de enlace entre o rei e o povo, ainda não estragado pela venalidade da burguesia e alguma aristocracia. D. Carlos disse-lhe: «Faze dele um homem e lembra-te que há-de ser rei»; e Mouzinho quis fazer de Luís Filipe um rei-soldado, exército em que concentravam todas as altas virtudes pátrias de autoridade, disciplina e sacrifício. De como essa simbiose inconstitucional teria possibilidade de concretizar-se foi algo que o suicídio do aio e o regicídio, aliás torpe, não permitiram aferir.
Uma palavra para a edição miseranda, sem uma nota de contextualização, folheto provavelmente impresso para propagandear as glórias do império e do regime, por ocasião da Exposição do Mundo Português.

incipit: «Meu Senhor / Quando Vossa Alteza chegou à idade em que a superintendência da sua educação tinha que ser entregue a um homem Houve por bem El-Rei nomear-me Aio do Príncipe Real.»

ficha:
Autor: Mouzinho de Albuquerque
título: Carta de Mouzinho de de Albuquerque a Sua Alteza o Príncipe Real D. Luís de Bragança
edição: Agência Geral das Colónias
local: Lisboa
ano: 1940
impressão: Editorial Ática
págs.:12
tiragem: 5000

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

microleituras

Duas narrativas: «Os livros», em dezasseis pranchas, homenagem às histórias, às imagens, aos... livros que povoaram a nossa infância (a dos que tiveram a sorte de crescer com livros). Encantamento que não mais se desvanece, pela vida fora. Alice, Peter Pan, Pinóquio são crianças como o Menino Triste, só que este, infelizmente, é de carne e osso, condenado a perecer. O Menino Triste arranjará uma solução para essa contrariedade.
A segunda narrativa, «O sorriso», o Menino Triste tornado Homenzinho Triste, mostra como é sábio valorizar o que verdadeiramente interessa, e sorri.
O desenho de João Mascarenhas, a preto e branco muito contrastante, é esplêndido e aguenta muito bem o pequeno formato do... livro.

ficha:
Autor: J. Mascarenhas
título: O Menino Triste -- Os Livros + 1
prefácio: José de Matos-Cruz
editora: Extractus
local: s.l.
ano: 2015
págs.: 23

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