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quarta-feira, 11 de junho de 2014

como sopro dum vento

«Procuro o que me pode consolar como o caçador persegue a caça, atirando sem hesitar sempre que algo se mexe na floresta. Quase sempre atinjo o vazio, mas, de tempos a tempos, não deixa de me tombar aos pés uma presa. Célere, corro a apoderar-me dela, pois sei quão fugaz é o consolo, sopro dum vento que mal sobe pela árvore.»

Sitg Dagerman, A Nossa Necessidade de Consolo É Impossível de Satisfazer (1955)
(trad. Paula castro e José Daniel Ribeiro)

sábado, 29 de março de 2014

4 ou 5 págs. - VILA D'ARCOS

Breve texto de 1972. Uma vila de província, uma dessas terras fora do tempo e do mundo. Ruas com pouco movimento, casas antigas -- em Sophia "nobres mesmo quando pobres" --, mulheres de negro, vultos à janela, pessoas poucas, automóveis ainda menos. E verde, muito verde, também dos "jardins imprevistos", "docemente abandonados a uma solidão dançada pelas brisas, enquanto um longo sussurro de adeus acena de folha em folha nos ramos mais altos das árvores." Jardins que albergam o sonambulismo da vida, mesmo quando o sono de existir é perturbado por "aparições prodigiosas como o lírio, a águia e o inesquecível rosto amado com paixão"; jardins onde se encara o próprio mistério da existência.

O incipit: Vila d'Arcos fica ao Norte, um pouco para Leste, numa região de montanhas.»
Um parágrafo: «É uma cidade antiga onde estagnada se desagrega e se dissolve lentamente uma vida desvivida gesto por gesto, sílaba por sílaba.»


1972

Sophia de Mello Breyner Andresen, Histórias da Terra e do Mar, Lisboa, Edições Salamandra, 1984, pp.113-117.