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domingo, 30 de abril de 2017

forma & conteúdo

A propósito da leitura dos dois ensaios que compõem o voluminho Sobre o Romance Contemporâneo, publicado em 1940 e redigido um par de anos antes, na prisão:
Casais Monteiro, um poeta menor, foi um excelente ensaísta, dos melhores do seu tempo. Havia então uma querela entre a chamada literatura humanista, neo-realista, que tinha os mais estrénuos defensores em Mário Dionísio e Álvaro Cunhal e, doutra parte, aqueles que, acusados de «psicologismo», elitismo e até de desumanidade -- porque não punham os problemas materiais do homem na primeira, ou na segunda, linha das suas preocupações enquanto artistas -- gravitavam em torno da revista presença. A história veio dar razão a Casais, a Régio e a Gaspar Simões, directores da folha coimbrã, não porque o outro lado não tivesse autores de primeira água, que os tinha, simplesmente porque o que sobrevive hoje dessa literatura tem que ver com questões de todas as épocas: por um lado, o homem visto como um problema total, não só material mas também espiritual; por outro, os aspectos da técnica literária, principalmente narrativa, que uma boa parte dos escritores política e/ou socialmente empenhados dominavam muito bem. A querela aludida acima, se hoje (nos) é risível, causou então fortíssimas polémicas, interessantíssimas historicamente, mas que actualmente seriam, mais do que intoleráveis, ridículas... (5 de Junho de 2005)

sábado, 22 de agosto de 2015

12x25

Já caía a noite, ao saírem da taberna, o Lambaça conduziu o companheiro por ruas estreitas e antigas, pelas quais se espalhava um cheiro agridoce a cozedura de centeio. Saíram da vila por uma quelha pedregosa, que descia torturada por entre latadas e muros. Alguns camponeses, regressando ao trabalho, passavam por eles e saudavam sem surpresa. Ao fundo da quelha, gorgolejando por entre ervas e rebolos, corria um riacho, cuja frescura se respirava no ar. Durante muito tempo, já escuro, o Lambaça guiou»

Manuel Tiago, Cinco Dias, Cinco Noites [1975], 2.ª ed., Lisboa, Edições Avante!, 1994, p. 25, ls. 1-12.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

o princípio revelado em 1975: «Com 19 anos incompletos, André viu-se forçado a emigrar.»

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Não sei em que década foi redigida esta novela preciosa de Cunhal, talves ainda no exílio, talvez logo depois do 25 de Abril. É o segundo título de Manuel Tiago, que, com o romance Até Amanhã Camaradas alimentou o mito do romancista na clandestinidade, entretanto desaparecido. Será com A Estrela de Seis Pontas (1994) que Cunhal se revelará como ficcionista. 
Tive muito boa impressão na primeira leitura. Ainda não calhou ver o filme de Fonseca e Costa.