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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Camilo Castelo Branco, Eduardo Frias, Ferreira de Castro e Paul Castilho

O Camilo é o Camilo, e o começo de Eusébio Macário é precioso, pela simplicidade, contrastando com o glit muito anos vinte e desinteressantemente "loucos" de Frias & Castro, mesmo que o romance tenha o seu quê para lá do ouropel, e com o malaise do protagonista de Castilho, aliás um nome seguro. Por isso, viva Camilo.

1879: «Havia na botica um relógio de parede, nacional, datado de 1781, feito de grandes toros de carvalho e muita ferraria.» Camilo Castelo Branco, Eusébio Macário

1924: «Quem o diria, Berenice?...» Eduardo Frias e Ferreira de Castro, A Boca da Esfinge 



1989: «Se quisesse definir a invisível peste que o acordar me toldava a existência, a palavra seria bruma.» Paulo Castilho, Fora de Horas

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

12x25


«torpor. Quando as últimas pessoas saíram, levantei-me também. Constatei que seria provavelmente de chegar até à porta. Constatei ainda que me apetecia sentir na cara a brisa fresca da noite. Percorrer ruas da cidade até amanhecer. A chama do meu cigarro ao vento. E cair depois exausto na cama para um sono opaco como a morte. Mas a Maria José, a sua mão leve, segurou-me pelo braço e disse: fica mais um bocadinho. Repetiu que eu estava em péssimo estado e que não podia ir para o hotel assim. Compaixão, uma das coisas a que não resisto nos tempos que correm. Perguntou porque é que eu não ficava lá em»

Paulo Castilho, Fora de Horas [1989], 11.ª edição, Lisboa, Publicações dom Quixote, 2000, p. 25, ls. 1-12.