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terça-feira, 18 de junho de 2013

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todos. Estava certo de que, no momento em que o Major Soares lhe pedira misericórdia com o nome da mãe na boca, conseguira por este modo abrandar a fúria do cangaceiro. E era sabido de todo o mundo que todos que procuravam Aparício com a invocação de sua mãe, tinham tudo. O povo dizia mesmo que o rei do sertão só era fraco para as ordens da velha, que ele adorava. Podiam pedir pelo nome de Deus, e ele não dava ouvidos. Aos gritos, porém, dos que se valiam da sua mãe, dava tudo o que podia. Bentinho, no entanto, começou a intrigar-se com aquele ódio de Sinhá Josefina pelo filho mais velho. Sempre fora assim, mesmo quando estavam no Araticum e que Aparício era rapaz novo. Agora a coisa devia ser diferente, pois a força dos

José Lins do Rego, Cangaceiros [1953], Lisboa, Livros do Brasil, s.d., p. 25, ls. 1-12.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

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Gabriel-Ernest

     -- Há uma fera nos seus bosques -- disse o artista Cunningham, quando estava a ser conduzido à estação. Fora o seu único comentário durante todo o caminho, mas como Van Cheele falara incessantemente, o silêncio do seu companheiro não tinha sido notado.
     -- Uma ou duas respostas extraviadas e algumas doninhas que aí habitam. Nada de extraordinário -- disse Van Cheele. O artista não respondeu.
     -- O que queria dizer com «fera»? -- perguntou mais tarde Van Cheele, já na gare.
     -- Nada. Foi a minha imaginação. Eis o comboio -- disse Cunningham.

Saki, A Tela Humana, trad. isabel cisneiros, Lisboa, Diário de Notícias, 2000, p. 25, ls. 1-12..

segunda-feira, 25 de março de 2013

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pontificem de 21 de Julho de 1554, proibia que de futuro que de futuro fossem pedidos à Santa Sé juízes especiais, em qualquer instância per viam gravamis et appellationis. Ficavam assim inibidos de tal acto os clérigos minoristas, ou de ordens sacras, benefeciados regulares, seculares ou leigos, a não ser que essa prerrogativa excepcional fosse concedida pelo Papa com a cláusula de moto próprio e por ele assinalada.
     Pouco depois criava-se o tribunal da legacia ou da nunciatura que julgava «em segunda instância as causas eclesiásticas das metrópoles e dos isentos, e em terceira e última instância as das outras dioceses.

Eduardo Brazão, Relações Externas de Portugal no Reinado de D. João V, vol. II, Porto, Livraria Civilização, 1938, p. 25, ls. 1-12.

domingo, 10 de março de 2013

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     Em Berchtesgaden, certo dia, Hitler virou-se para mim e disse: «Como é que fico de suíças?» Speer riu-se e Hitler sentiu-se insultado. «Estou a falar muito a sério, Herr Speer», disse. «Julgo que devo ficar bem de suíças.» Goering, esse palhaço servil, concordou imediatamente, dizendo: «O Führer de suíças -- que excelente ideia!» Speer discordou de novo. Ele era, de facto, o único com integridade suficiente para dizer ao Führer quando precisava de cortar o cabelo. «Dá demasiado nas vistas», continuou Speer. «Suíças é o tipo de coisas que eu associo a Churchill.» Hitler ficou exasperado. Queria saber se Churchill estava a pensar deixar crescer suíças e, se assim fosse, quantas e quando. Himmler, a quem estavam suposta-[mente]

Woody Allen, Para Acabar de Vez com a Cultura  (1966), trad. Jorge Leitão Ramos, 4.ª ed., Amadora, Livraria Bertrand, 1981, p. 25, ls. 1-12.

quarta-feira, 6 de março de 2013

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Em Er-leben [viver ou assistir a] existe um sentido primitivo de carácter activo, tal como em Er-reichen [atingir], Er-eilen [alcançar]; mas já ninguém o ouve e fizemos daí uma mera forma passiva.

Transfere-se facilmente (diz algures Hebbel) o respeito pelo elemento que é do domínio de uma pessoa para essa mesma pessoa. Ele di-lo com referência especial a Adam Müller e Gentz, mas acerta aqui em algo que constitui uma verdade geral.

Argos, com os seus cem olhos, era um ser sem ocupações, como o seu nome indica [a palavra grega argos significa «inactivo»]. Não é, por isso, motivo de glória que um espectador possa ajuizar melhor de certas coisas que aqueles que as têm entre mãos; e para estes não é nenhuma vergonha se melhorarem a sua forma de manipular as coi-[sas]

Hugo von Hofmannsthal, Livro dos Amigos, trad. José A. Palma Caetano, Lisboa, Assírio & Alvim, 2002, p. 25, ls. 1-12.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

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[con]cordo que isso possa ser ridículo, «mas que me deixem em paz».
     Polina Aleksandróvna insistiu em que eu partilhasse com ela os ganhos do dia em partes iguais, e deu-me oitenta fredericos de ouro, propondo-me que continuasse a jogar nessa condição. Recusei completa e definitivamente a metade e disse-lhe que não podia jogar para outros, não porque não quisesse, mas porque de certeza perderia.
     -- Pois também eu, por mais tolo que isso possa ser, já quase só tenho esperança na roleta -- disse ela, pensativa. -- E por isso você deve sem falta continuar a jogar a meias comigo, e, é claro, vai continuar. -- E afastou-se de mim,

Fiódor Dostoievski, O Jogador -- Memórias de um Jovem, trad. António Pescada, Lisboa, Biblioteca de Editores Independentes, 2007, p. 25, ls. 1-12. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

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dos miolos, como os ossos dos membros, pela carne e o tutano, constituem as partes mais suculentas da caça.
     É perfeitamente verosímil que fossem oferendas a qualquer poder sobrenatural. Não se trataria, decerto, de um Ser Supremo, mas, mais provavelmente, de espíritos de caça. O fim das oferendas seria agradecer o êxito da caçada e assegurar, para o futuro, a protecção daqueles espíritos. Nada se sabe de positivo acerca da significação deste importante depósito de ossos, mas julga-se que constitui a mais antiga prova, até hoje conhecida, de práticas dirigidas a forças sobrenaturais.

4. O CULTO DOS MORTOS

     Os esqueletos humanos que foram encontrados em cavidades abertas artificialmente ou rodeados e cobertos de pedras ou de fragmentos de

Maria Lamas, Mitologia Geral -- o Mundo dos Deuses e dos Heróis, vol. I (1959), 3.ª ed., Lisboa, Editorial Estampa, 1993, p. 25, ls. 1-12.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

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pobreza, da estupidez e da opressão, está o Laboratório da Vida. Aqui se fazem novas combinações químicas que explodem e fedem. Alguma coisa -- existe pelo menos uma hipótese -- poderá nascer. E essa simples hipótese dá ao que está a acontecer na Rússia, mais importância do que o que está a acontecer (digamos) nos Estados Unidos da América.
     Penso que é parcialmente razoável que se tenha medo da Rússia, como acontece com os cavalheiros que escrevem para o Times. Mas se a Rússia se tornar uma potência no exterior, não será pelo dinheiro do Sr. Zinovieff. A Rússia nunca terá grande importância para

John Maynard Keynes, A Rússia de Relance (1925), Leonel Pedroso Gonçalves, Lisboa, Escher, s.d., p. 25, ls. 1-12.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

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Eis senão quando o Guerreiro, o Pinto basto, o Casquilho e o Maia, meus velhos camaradas, resolvem no café, na noite de quinta-feira, fazer um assalto a Lisboa, Alta. Com a nossa farda de passeio, como bons apologistas do pacifismo armado. Coisa singular: por mais que eu quisesse afastar, por absurda, a ideia de ir de um teatro a outro à procura de Juja, esquecido dos amigos e de tudo o mais, não pude consegui-lo. Mal chegámos, porém, expus o meu intento no Portugal; fui gozado, provoquei a tosse e o Guerreiro, à saída, para demover-me, teve de recorrer ao insulto. E eu dei-lhe razão. Era realmente estúpido. Acompanhei-os. Andámos naquele

José Marmelo e Silva, Depoimento [1939], Lisboa, Edição de Fomento de Publicações, s.d., p. 25, ls. 1-12.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

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Nora. -- Como? Ah! sim, compreendo. Pensas que Torwald talvez te possa ajudar.
Senhora Linde. -- Sim, pensei nisso.
Nora. -- E vai fazê-lo, Cristina. Deixa-o por minha conta; falarei do assunto tão delicadamente, tão delicadamente que ele há-de ficar na disposição de o fazer. Oh, Cristina, gostava tanto de te ajudar!
Senhora Linde. -- É muito amável preocupares-te tanto comigo, Nora, tu, que conheces tão pouco os problemas e cansaços da vida.
Nora. -- Eu?... Julgas que não os conheço? 
Senhora Linde. (Sorrindo.) -- Ora, pequenos trabalhos

Henrik Ibsen, Uma Casa de Boneca, trad. anónima, Alfragide, Ediclube, s.d., p. 25, ls. 1-12.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

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     Sentiu-se inseguro, como se o sufocassem. Alguém poderia agredi-lo de repente, ocorreu-lhe. Uma, entre todas aquelas mãos, poderia ser assassina.
     Gritou, mais alto do que as vozes, abriu caminho pelo meio da multidão, empurrando e tropeçando, e alcançou, com dificuldade, o autocarro. Sentou-se no banco, com a camisa molhada de suor.
     Magotes de crianças esmagavam-se contra as janelas, do lado de fora, estendendo as mãos. Por vezes um dos turistas abria a janela e atirava não importa o quê -- esferográficas, láois, T-shirts, lenços, pacotes de bolachas ou um chapéu de pano, sobre os quais as

Teolinda Gersão, Histórias de Ver e Andar, 3.ª ed., Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2005, p. 25, ls.1-12.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

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serras que ficam para além do território de Machuculumbe, a noroeste?
     -- Não, nunca ouvi.
     -- Pois, meu rapaz, aí é que Salomão verdadeiramente tinha as suas minas, as suas minas de diamantes!
     -- Como se sabe?
     -- Como se sabe!? Tem graça! Sabe-se perfeitamente. O que é Suliman senão uma corrupção de Salomão? O nome das serras, realmente, sempre foi serras de Salomão. Além disso, uma feiticeira do distrito de Manica, uma velha de mais de cem anos, contou-me tudo... Isto é, contou-me que para lá das serras vive um povo que é das raças dos zulus, e fala um dialecto

H. Rider Haggard, As Minas de Salomão (1885), trad. Eça de Queirós, Lisboa, Livros do Brasil, s.d., p. 25, ls. 1-12.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

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[repreen]deu-o vivamente, e despediu-o sem divulgar o caso, para o não desonrar.
     O homem, porém, ficou com ódio ao cão, e muito tempo depois, aproveitando a ausência do quinteiro e dos filhos, chamou o Piloto, que correu para ele sem desconfiança; atou-lhe uma corda ao pescoço e arrastou-o à margem do ribeiro.
     Atou à outra ponta da corda um grande calhau, e, levantando o animal, arrojou-o à água; mas arrastado ele próprio com o peso e com o esforço, caiu também.

Guerra Junqueiro, Contos para a Infância,  s.ed., Porto Lello & Irmão, 1978, p. 25, ls. 1-12.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

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 Encasacado num lugar que confessa não ser seu, mas sim do professor cuja sapiência respeita, não falara à sua vontade.
     Porém, não foi essa a impressão de quem o ouviu ao que parece maravilhado pela magia da sua palavra fluente.
     Nesse mesmo ano conhece Hoffmannssthal e vai imediatamente ouvi-lo ao Clube Científico, numa conferência sobre Goethe.
     No ano seguinte -- em 1898 -- atreve-se a escrever a Emílio Verhaeren, poeta belga muito considerado dentro e fora do seu país e pertencente ao grupo dos chamados «Sim-

     António Augusto Ápio Gracia, Alguns Aspectos da Vida e Obra de Stefan Zweig, Porto, 1942, p. 25, ls. 1-12.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

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     Sua Majestade, o rei D. Carlos, visitou-o na sua humilde casa do Largo da Estrela, para o condecorar. Nunca pensara receber tão ilustre visitante.
     A emoção, exprime-a através dos seus versos, onde revela o seu omnipresente sentido de humor:

     "Que vindes cá fazer ó mocidade,
     Despedir-vos de mim. Quanto vos devo.
     Levo de vós também muita saudade
     Em lá chegando a outra vida...
     ESCREVO".

     Tarde gélida de Janeiro de 1896. Aos sessenta e seis anos, o poeta despediu-se da vida.

Dora Nunes Gago, A Sul da Escrita, Porto, Campo das Letras, 2007, p. 25, ls. 1-12.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

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PRIMA

Onde se chega aos pés da abadia e Guilherme dá prova de grande agudeza.


     Era uma bela manhã de fim de Novembro. De noite tinha nevado um pouco, mas a fresca camada que cobria o terreno não era superior a três dedos. Às escuras, logo depois de laudas, tínhamos ouvido missa numa aldeia do vale. Depois tínhamo-nos posto a caminho para as montanhas, ao despontar o Sol.
     Como trepávamos pelo carreiro íngreme que serpenteava em torno do monte, vi a abadia. Não me espantaram as muralhas que a cingiam por todos os lados, semelhantes a outras que vi em todo o mundo cristão, mas a mole daquilo que depois soube que era o Edifício. Esta era uma constru-

Umberto Eco, O Nome da Rosa, trad. maria Celeste pinto, Lisboa, Difel, s.d., p. 25, ls. 1-12.

sábado, 12 de janeiro de 2013

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É profundamente injusto subsumir atitudes humanas -- em toda a sua variedade, em todos os seus cambiantes -- sob dois conceitos genéricos e polémicos como os de «apocalíptico» e «integrado». Certas coisas fazem-se porque dar título a um livro tem as suas exigências (trata-se, como veremos, de indústria cultural, mas procuraremos precisamente mostrar como este termo tem vindo a ser assumido numa acepção o mais possível descongestionada); e fazem-se também porque, se se quer elaborar um discurso introdutório aos ensaios seguintes, será preciso fatalmente identificar algumas linhas metodológicas gerais: e para definir aquilo que não se quereria fazer, revela-se cómodo tipificar até ao extremo uma série de escolhas culturais, que naturalmente seria analisadas em con-

Umberto Eco, Apocalípticos e Integrados , trad. Helena Gubernatis, Lisboa, difel, 1991, p. 25, ls. 1-12,

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os homens viessem com a boca cheia das aldrabices que os mais antigos lhes impingiam para se armarem em fortes.
     -- A guerra aqui é como em todo o lado. Mas o melhor é esperares para veres, amanhã vais ter um bilhete na primeira fila -- adiantou para o soldado. Mudou rapidamente de conversa disparatando: -- Porque vieste para os comandos? Livravas-te de estares agora metido nestes apertos...
     -- Nem sei bem, um bocado por acaso, estava na recruta e toda a malta se metia comigo por eu ser alentejano. O meu capitão sabe que é raro um alentejano vir para os comandos? -- e continuou: -- Gozavam comigo por eu ser assim miúdo, chamavam-me alentejano dum cabrão,  mesmo os oficiais e os

Carlos Vale Ferraz, Nó Cego, Amadora, Livraria Bertrand, 1983, p. 25, ls. 1-12.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

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O senhor Coutinho pretendeu desculpar a esposa. Os negócios corriam mal, e, precisamente nesse dia, fora com muita dificuldade que conseguira juntar os 80 mil reis da despesa diária. Da falta de mercadorias era certo e sabido ressentir-se a «gaveta»...
-- O senhor Morgado não tem querido auxiliar-me... Eu sei agora dum negócio...
-- Lá me obriga novamente o senhor a recomendar-lhe prudência. As hipotecas, não? Deixe-se disso. De resto, o senhor não perde nada em empenhar-se tanto! Eu pouco mais

Assis Esperança, O Dilúvio (1932), 2.ª ed., Lisboa, Guimarães & C.ª, 1947, p. 25, ls. 1-12.

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 II. ERUDITO E DÂNDI?

1. Pode avançar-se que seja comum a nomes e obras que habitualmente contextualizam Fradique -- Gomes Leal e António Nobre, por exemplo -- o dandismo. As cartas de Fradique, os seus bons mots, a sua mesma ausência de obra -- a obra de Fradique é Fradique -- fazem parte de uma estratégia de entrada por efracção num cânone (ou na constelação de nomes próprios que a esse cânone correspondem), corrigido aqui, caso a caso, pela "atitude exacta" que provém do gosto (e Fradique é uma passagem da Geração de 70 aos Vencidos da Vida). A própria prosa sonhada por Fradique ou a sua visão excepcionalmente discriminante, na medida em que se definem, definem-se por relação a essa estética da exacta excepção.

Américo António Lindeza Diogo e Osvaldo Manuel Silvestre, Les Tours du Monde de Fradique Mendes: A roda da História e a Volta da Manivela, Sintra, Câmara municipal, 1993, p. 25, ls. 1-12.